quarta-feira, 9 de maio de 2018

Vingadores 4: Endgame


Depois do grande sucesso de Guerra Infinita a responsabilidade dos roteiristas aumentou muito. O que vem por aí? Como encerrar um ciclo de tanto sucesso surpreendendo e sendo fiel ao que o publico quer ver?

O fato é: No universo MRVL no cinema, com a queda da S.H.I.E.L.D., que foi responsável pela reunião dos heróis na iniciativa Vingadores, mostrada em capitão América 2, a reunião de heróis vem discordando entre si sobre os rumos tomados e questionando o controle imposto a eles pelos governos. Principalmente depois do nascimento do vilão Ultron sobre a tutela dos Vingadores. Todo essa discórdia acabou sendo acentuada e dividindo os mocinhos em dois grupos em Capitão América – Guerra Civil. O fim de uma fase de filmes interligados culminando em um filme reunindo todos os heróis, Vingadores, já foi anunciado pelo produtor e chefão da Marvel Kevin Feige.

Eles estariam dispostos a mexer em time que se tá ganhando? Em partes sim, em se tratando da renovação de heróis e substituição dos atores mais velhos. E com a compra quase que certa da FOX pela Disney, os direitos no cinema dos personagens de X-man voltariam pra Marvel, abrindo mais um leque de opções na expansão do universo MRVL. E como abranger tudo isso culminando pra um fechamento de fase que não seja preciso encerrar de vez o universo até agora apresentado? Os próprios quadrinhos pra seguir em frente criam alternativas passando o bastão pra os mais novos, sobre a tutela do herói experiente que não abandona a cena de vez. Pois imagina perder o prestígio de não ter mais Robert Downey Jr. interpretando o Homem-de-Ferro. Acho que seria loucura da MRVL fazer tantas mudanças de uma só vez, principalmente matando os heróis no universo do cinema. A única opção que resta é enganar a gente, pra deixar os filmes ainda mais emocionantes. E material há de sobra no mundo dos quadrinhos pra isso. Volta no tempo, utilizando a joia do infinito, abrindo os multiversos e realidades paralelas como nos filmes de Dr. Estranho e Homem-Formiga.

A Marvel vem até agora adotando pra vingadores os subtítulos iguais aos dos quadrinhos, embora o enredo não seja o mesmo, as histórias em quadrinhos seguem como inspiração apenas. Para os críticos do Heroic Hollywood dos Estados Unidos esse siclo será quebrado e o novo Vingadores terá como subtítulo Endgame, “Fim de Jogo”. Devido ao encerramento de fase e a dissolução dos heróis. Fazem alusão as falas de Stark em Vingadores 2 e de Dr. Estranho em Guerra Infinita, sendo pra esta “Estamos no fim do jogo agora”, depois do doutor entregar a joia do tempo a Thanos, e pra aquela “Aquilo lá em cima? Aquilo é fim de jogo” dito por Tonny ao se referir ao Titã louco.

Também acredito nessa visão e creio que Vingadores 4 fará alusão a fim, finito, “game over”, pois é um término de fase, os Vingadores passaram a ser todos os heróis do universo MRVL não tendo mais sentido essa iniciativa. Assim, e levando-se em conta a entrada de Capitã Marvel no universo, na próxima faze os títulos dos filmes que façam a reunião de vários heróis podem ter na composição algo como: “Marvel e a Guerra do Universo”, “Marvel – Derrocada de Thanos.” Ambos títulos inexistentes nos quadrinhos e utilizados apenas como suposição, Marvel então substituiria a palavra Vingadores, para demonstrar a abrangência do universo no cinema.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

CINEMA - VINGADORES GUERRA INFINITA


Até agora a estratégia da Marvel de entrelaçar seus filmes culminando em um fecho de ciclo no filme dos Vingadores vem dando muito certo. No ciclo 1 os filmes eram solos, tendo o enfoque na construção de cada herói. Com o passar do tempo outros heróis foram sendo incorporados (Hulk, Feiticeira Escarlate, Homem Aranha, etc) misturando mais e mais os filmes, e assim se deu a construção do universo Marvel nos cinemas, que embora seja baseado nos quadrinhos segue bem distinto deles. No ciclo 3 completados com três filmes de cada herói principal (Homem de Ferro, Capitão América e Thor), a mistura foi tanta que Capitão América – Guerra Civil se tornou quase um Vingadores 2 e meio, por trazer a maioria dos heróis do universo num mesmo filme.

Vingadores Guerra infinita com um pouco mais de uma semana já entra pro hall dos maiores filmes do cinema, seja por público, pois vem arrebatando até mesmo os que não estão familiarizados com os filmes anteriores, seja por arrecadação financeira, já atingindo o seleto clube do 1 bilhão de dólares. O filme vem iniciar o fim de um ciclo que começou em Vingadores I, com a aparição do vilão Thanos, que permeou o universo da Marvel nos cinemas por vários filmes até chegar agora no décimo nono filme. Devendo encerrar a era dos Vingadores no ano que vem com o 22º filme, que será uma continuação de Guerra Infinita, mas que até a presente data (07/05/18), permanece sem ter o título revelado. Até o encerramento dessa fase em Vingadores teremos as estreias dos filmes Homem-Formiga e a Vespa, em Junho de 2018 e Capitã Marvel, em Março de 2019. Filme este que será ambientado na década de 1990, a nova heroína também deve estar presente no filme Vingadores 4.


Quanto a crítica, Guerra Infinita só vem recebendo elogios pra um filme de super-heróis, este fornece tudo o que se quer ver. Batalhas infinitas, como sugere o título do filme, muita luta e poderes sendo usados num ambiente gráfico que convence e muito, com excelente acabamento das cenas que torna o filme extremamente visual. O problema, ou não, é que o vilão Thanos acaba roubando a cena diante de cerca de sessenta heróis que aparecem no longa, embora a estória do personagem não seja tão aprofundada assim. Pois o filme apesar de ter mais de 2 horas e meia acaba seguindo a proposta visual e é uma enxurrada de batalhas, assim acaba faltando tempo pra um desenrolar mais explicativo. Criando dúvidas no espectador e quase que obrigando uma segunda ida ao cinema. Seria uma tática da Marvel? Rsrs.

Alguns pontos confusos permeiam a história do herói mais evidente no filme, Thor, que seria o primeiro protagonista depois do antagonista Thanos, claro! O vilão já começa o filme com uma das seis joias do infinito, a do poder, que só bem à frente no filme e em uma única frase, Thor acaba explicando como ele a obteve, (retirando a joia das mãos da Tropa Nova). Uma explicação não dada é: Onde foi parar a Valquíria e os lutadores que ajudaram Thor a salvar seu povo? Em uma frase Thor fala que Thanos matou metade do seu povo, o que sugere que os personagens não citados fugiram antes da nave com os Asgardianos ser destruída pelo algoz. Outra questão resolvida numa frase é sobre: Como o Deus do trovão ganha o poder de conjurar a ponte Einstein-Rosen e se teletransportar pelo universo? Com um roteiro tão interligado com outros filmes, é claro que questões assim acabariam surgindo, mas estas não atrapalham o enredo do filme.

Um dos acertos no filme foi retirar toda a armadura e elmo dourados de Thanos, deixando um visual mais simplista, o que pôde deixar que as expressões gráficas do rosto do vilão aparecessem mais. Não esquecendo de citar a atenuação na cor roxa da pele, que a deixou mais real, se compararmos com a primeira aparição de Thanos no universo MRVL. O tom engraçado e sarcástico presentes em todos os filmes segue firme neste e cumprem a função de impulsionar um roteiro simplista como em todo filme. Chegando a ultrapassar o limite atingindo um humor mórbido em uma cena onde Rocket Raccoon conversa com Thor sobre o destino dele. O filme tem um roteiro em certos aspectos previsíveis, já que é uma caçada as joias pelo super-poderoso Thanos e a maioria delas o espectador sabe onde está, exceto para a joia laranja da alma que está bem escondida. O final reserva-se emocionante e surpreendente, mas se analisado mais de perto, é também bem previsível. Temos que ressaltar o esforço cumprido em fazer um enredo coeso e uma montagem de cenas impecável, que fazem o filme passar voando.

O fato é que depois de Vingadores 4 a Marvel vem escondendo todo seu planejamento, e com a compra quase que certa da Fox pelo conglomerado Disney, que também é dono da Marvel, os direitos dos X-man, que foram vendidos a anos, devem voltar pra casa, abrindo um leque enorme de novas opções no universo. A Marvel vem usando no cinema os direitos dos personagens de Hulk e Homem-Aranha, este que pertence Sonny que já anunciou uma continuação para Homem-aranha - De Volta ao Lar, e aquele que ainda tem parte atrelada a Universal Pictures. Estes dois personagens devem ter participação reduzida na próxima fase da Marvel, se não saírem de vez do universo, pelo menos por um tempo num futuro próximo. É claro que parcerias sempre podem ser renovadas, mas a Marvel possui uma infinidade de personagens nos quadrinhos e deve expandir seu universo utilizando estes no cinema.


sábado, 5 de setembro de 2015

Identidade Sexual

O que é? Identidade sexual é uma combinação entre três principais características físicas e comportamentais que definem a expressão sexual de uma pessoa.
As pessoas precisam entender definitivamente que órgãos sexuais, gênero e sexualidade são coisas bem diferentes, e qualquer combinação entre estas é possível e absolutamente normal. Pois uma máquina tão complexa com uma mente tão fantástica quanto a do ser humano não pode ser explicada de forma simplória. As definições feitas abaixo são modernas, desprendidas de tradições, religiões e preconceitos, buscam simplificar o entendimento e não tem o objetivo de rotular as pessoas, e sim mostrar a complexidade por trás do comportamento sexual humano.
identidade sexual
- Características biológicas, que estão ligadas aos órgãos reprodutores, podem ser macho (dotado de pênis), fêmea (dotada de vagina) ou hermafrodita (indivíduo dotado dos dois órgãos sexuais). O grau de hermafroditismo depende muito, há pessoas com ambos os sistemas reprodutores quase que perfeitos (testículos, útero, etc). Outras com apenas órgãos sexuais duplos, ou órgãos parciais (mal formados) sendo apenas um deles funcional. A presença ou ausência de testículos interfere no nível do hormônio testosterona, o maior nível deste, determina predominância de características físicas masculinas. O inverso também é válido, onde a maior concentração de hormônios femininos (ex: estrogênio) determinam características físicas mais femininas. É claro que as características físicas dependem desse grau de hermafroditismo, mas o que acontece na maioria dos casos é que se tem um organismo predominantemente masculino ou feminino com um, ou parte de um, outro órgão sexual.   
- Características de gênero, é como a pessoa se enxerga perante a sociedade entre dois extremos clássicos e conservadores, sendo baseada na tradição. O gênero masculino “o homem”, ligado ao comportamento provedor, rústico, ativo (a calça, a cor azul). O gênero feminino, “a mulher”, ligado ao comportamento delicado, mais contido, passivo (a saia, a cor rosa). E o sem gênero, a pessoa que não se vê obrigada a “obedecer” padrões comportamentais exigidos pela sociedade tradicional, não possui um gênero definido.
- Características de sexualidade, (orientação sexual) que estão ligadas ao comportamento sexual em si e a forma como se sente atração física por outra pessoa. Heterossexual se sente atraído pelo sexo oposto, homossexual é atraído pelo indivíduo do mesmo sexo e bissexual que é atraído por ambos os sexos.
Uma pessoa também pode ter uma orientação na cama se comportando de maneiras diferentes na hora do sexo. Forma ativa (no controle da ação), forma passiva (à mercê da ação), ou versátil (intercalando ativo/passivo). A orientação na cama não depende da sexualidade da pessoa, tudo é uma troca. Em sexo heterossexual esses comportamentos no geral estão bem definidos o homem é o ativo (ato ativo de penetrar a vagina) e a mulher a passiva (ato receptivo de ser penetrada). Porém dependendo da sexualidade estas palavras ganham contornos um pouco diferentes. Em se tratando de sexo homossexual masculino, ativo é o cara que concentra o estímulos do prazer predominantemente no pênis (ato de penetrar). Já o dito passivo concentra os estímulos do prazer predominantemente no ânus (ato receptivo de ser penetrado), enquanto que o versátil se estimula das duas formas. A forma ativa também é utilizada pelos heterossexuais goys (descrição abaixo). Para muitos passivos o estímulo exclusivamente anal é o bastante para o cara se satisfazer, não precisando desfrutar do clímax da ejaculação, sensação que o ativo considera imprescindível, indispensável. O prazer no ânus não está restrito aos homossexuais, um homem heterossexual também pode desfrutá-lo, através de estímulos com os dedos, brinquedos de sexshop, e outros. Muitas mulheres também adoram o sexo anal e se satisfazem plenamente com este. Isso ocorre porque a região do ânus possui muitas terminações nervosas que quando estimuladas geram prazer. No caso dos homens o estímulo interno gerado com o atrito na próstata propicia muito prazer, podendo este ser ainda mais intenso que nas mulheres, por esta região ser uma zona erógena, (região do corpo que quando estimulada gera muita excitação). No caso de mulheres homossexuais o termo ativa está ligado a quem controla, proporciona o prazer, “à que estimula” (comportamento ativo). Isso mostra que o prazer é bem mais complexo do que parece, vai muito além dos órgãos sexuais e regiões erógenas, e está guardado dentro da cabeça do praticante. O jogo de bandido/moçinho, mestre/escravo, o jogo de estimulação à imaginação é a chave para um excelente ato sexual, independente da identidade sexual do indivíduo. 

Homem: Representa o homem comum, clássico, heterossexual tradicionalista que não se liga muito na aparência, sendo pegador ou não, é o nosso homem de cada dia. Predominância: gênero/masculino.

Mulher: Representa a mulher comum, clássica, heterossexual tradicionalista. Predominância: gênero/feminino.

Lambersexual: O termo lamber vem do inglês ‘lenhador’, é utilizado para se determinar o homem mais rústico, “bruto”, tanto na aparência (“cara de homem”, forte, com pelos), quanto no jeito (com pegada forte). Predominância: biologia/macho.

Metrossexual: Designa o homem da metrópole, que gosta de se vestir bem, elegante. No geral odeiam pelos e tem cuidados com a beleza iguais aos que as mulheres têm, muitas vezes até excessivos, que descaracteriza um pouco o gênero masculino da visão de homem comum. São muito educados e gostam de chamar a atenção para a sua beleza, são vaidosos, adoram ser elogiados tanto por mulheres quanto por outros homens.

Goy (Ativo): O termo utiliza como referência a palavra GAY, substituindo o ‘A’ por ‘ø’, que acabou com o som da letra ‘o’. Trata-se de homens de gênero masculino e heterossexuais que apresentam algum comportamento sexual com outros homens ou com homossexuais. São comportamentos antigos ligados à descoberta do sexo que são trazidos para a fase adulta. Como o da infância, explorando o corpo com os amiguinhos, ou o famoso ‘troca-troca’. Como comportamentos da adolescência, masturbando-se perante os amigos, zoeiras envolvendo sexo, que exaltam a masculinidade e a virilidade. Dois goys podem masturbar um ao outro, se exibir para os colegas, e fazerem outras brincadeiras sexuais. Em se tratando da relação com homossexuais, são aqueles caras que apresentam orientação na cama unicamente como ativo, adoram um oral e um anal e enxergam os corpos masculinos de forma bem restrita, visualizam como se fosse o corpo de uma mulher, onde podem, porque não, também se divertirem.

Bissexual: Independente do gênero, são pessoas que se sentem atraídas e têm relações sexuais com ambos os sexos (macho, hermafro ou fêmea). Possuem relações amorosas homo ou hetero, sem qualquer distinção na forma de prazer.

Homossexual: São homens do gênero masculino que se sentem atraídos e têm relações sexuais com outros homens ou homossexuais. Estes investem em relações amorosas com o mesmo gênero masculino, que é o mesmo que o seu. A orientação na cama como ativo ou passivo é indiferente, podem escolher uma ou as duas (versáteis). O termo científico homossexual não possui gênero e também é usado para definir mulheres que gostam de mulheres, mas aqui está apresentado para se definir uma identidade sexual, sendo exclusivo para a definição do gênero masculino. Predominância: sexualidade/homo.

Transformista: É um homem do gênero masculino e heterossexual que gosta de se vestir de mulher, é um levíssimo transtorno de gênero que não afeta a sexualidade.
Travesti: É um alto grau de transtorno de gênero, um homem do gênero feminino onde sua sexualidade foi afetada, apresentando comportamento homossexual tanto ativo quanto passivo, daí vem certo grau de “bissexualidade”. Buscam ter características físicas femininas e aceitam bem a controversa gênero feminino/órgão sexual masculino. Predominância: gênero/feminino.

Transexual: Homem ou mulher com altíssimo grau de transtorno de gênero. Identificam-se pelo gênero oposto ao do corpo (órgão sexual) que nasceram. Buscam ter características físicas opostas e não aceitam a controversa gênero/órgão sexual, “nasceram no corpo errado”. A mulher transexual transforma-se em um homem e o homem transexual transforma-se em uma mulher, devendo ambos tomar hormônios para o resto da vida para a mudança corporal. Quando possível recorrem às cirurgias drásticas de mudança de sexo, porém a realização desta não afeta a sua identidade sexual transexual. Predominância: sexualidade/homo.

Andrógino: Homem ou mulher hermafrodita que não se identifica com nenhum gênero (sem gênero), independente da sexualidade. Predominância: gênero/sem gênero.

Lésbica: São mulheres do gênero masculino ou feminino que se sentem atraídas e têm relações sexuais com outras mulheres ou lésbicas. Estas investem em relações amorosas com mulheres do gênero masculino ou feminino. A orientação na cama como ativa ou passiva é indiferente, podem escolher uma ou as duas (versáteis). Não se levando em conta ao definição de identidade sexual, o termo científico homossexual não possui gênero e também é usado para definir mulheres que gostam de mulheres. Predominância: sexualidade/homo.

sábado, 20 de setembro de 2014

Poesias baratas - Chão Fértil

Porque é tão difícil caminhar em direção ao seu coração?
Eu piso em armadilhas.
Porque cultivas esses muros?
Constrói labirintos escuros.
Porque diz que me ama, mas me afasta?
Suas frases cheias de palavras e vazias de sentimento.
Brincas comigo? Ou não sabe o que é amar?
Eu sinto que é de verdade, mas a razão me envenena.
Sei que me quer. Mas porque seu corpo foge do meu?
Não era mais como antes, não é mais como agora.
Sinto que acabou. Nossos caminhos se afastaram?
Afastamos-nos do nosso caminho.
Onde foi parar uma parte do nosso amor?
A realidade passou como um trator sobre nós.
Onde está o seu sorriso? E o meu?
Você é ingênuo e relapso. Eu sou intenso e exigente.
Não quero que acabe. Será?
Quero você, fazer carinho em sua face, te beijar.
Onde está o calor da sua boca sobre o meu corpo?
Acho que um de nossos amores morreu.
Poderia este ainda pode renascer?
Sei que sim. Mas também sei que só a semente não basta.   

O chão fértil está aqui. Onde está a água e o seu regador?

sábado, 5 de julho de 2014

Ciência, Tecnologia e a Sociedade.

Será que a tecnologia acarreta realmente uma melhora na qualidade de vida para todas as pessoas? Será que estamos no rumo certo? Poderia estar a Ciência e a Tecnologia reféns da futilidade, e se distanciando cada vez mais do bem social? Vamos fazer uma reflexão sobre estes tão complexos e controversos temas. 




O objetivo deste texto é relacionar e confrontar os caminhos da ciência e da tecnologia atuais com os preceitos da sociedade de hoje. A disciplina que estuda a interação entre estas áreas é a Ciência, Tecnologia e Sociedade - CTS, e no livro homônimo de Santos et al. (2004) estes conceitos estão bem discutidos e definidos. Este acaba desmistificando as imagens essencialistas da ciência e tecnologia e revelando-as como complexas atividades humanas, dependentes, dentre outros fatores, do contexto social e de interesses políticos e econômicos, que nem sempre são morais e éticos. O primeiro capítulo “Ciência, Tecnologia e Sociedade: O estado da Arte na Europa e nos Estados Unidos”, será utilizado para fazer a abordagem e analisar os caminhos da ciência e tecnologia no mundo. E posteriormente, o enfoque será em um ramo muito importante da ciência, as chamadas Interfaces Cérebro-Máquina - ICM. Estes são aparelhos capazes de ler ondas cerebrais ou impulsos nervosos enviados por nosso cérebro e transformá-los em comandos eletrônicos que podem comandar próteses ortopédicas, sensores eletrônicos ou qualquer equipamento externo. Porém, antes veremos pontos importantes no desenvolvimento dos conceitos da CTS.
Na primeira metade do século XX o desenvolvimento tecnológico deu um grande salto movido pela II guerra mundial, e foi apresentado ao mundo como a salvação da humanidade. Conforme o livro de Santos (2004) “somente é possível que a tecnologia possa atuar como cadeia transmissora no desenvolvimento social se sua autonomia é respeitada, se deixa de lado a sociedade para atender unicamente a um critério interno de eficácia técnica” (p. 13). Este trecho mostra uma arrogância dos cientistas da época, achando que a ciência e tecnologia deveriam estar afastadas da sociedade, e que apenas os conhecedores a fundo de suas descobertas científicas estariam aptos a definir o seu papel na humanidade. Esta é claro, uma visão ultrapassada, mas que acabou colaborando para a criação da CTS. E será que esta visão distorcida realmente não é mais encontrada hoje? Bem, a resposta é não. Grande parte da ciência e tecnologia ainda é refém de interesses financeiros e pessoais, da vaidade de pesquisadores que quase sempre estão pendurados em cargos de instituições públicas, que se quer utilizam uma visão ampla envolvendo a sociedade, há uma total falta de planejamento do setor público, justamente quem deveria zelar pela sociedade. E em países em desenvolvimento como o Brasil esse problema é ainda maior. Em entrevista ao site de notícias IG o renomado neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis que trabalha na Duke University, nos Estados Unidos, fala dessa visão sem planejamento da ciência brasileira, dos atrasos na aprovação de leis, do grande entrave burocrático existente e da perda de várias correntes científicas e tecnológicas por parte do Brasil. Ficando hoje muito atrás, por exemplo, na revolução da nanotecnologia. Segundo o pesquisador já produzimos um grande volume de artigos científicos, mas infelizmente a qualidade não é muito boa, pois há uma pequena participação de artigos brasileiros na vanguarda da ciência mundial. Visando enriquecer a discussão a respeito da ciência e da tecnologia e sobre o mito de serem, em última análise, benfeitoras, Santos et al. (2004) comenta “não devemos esquecer, para completar esse negro panorama, campos científicos- tecnológicos tão problemáticos como a energia nuclear ou a biotecnologia” (p. 30). O acidente nuclear em Fukushima no Japão e o polêmico programa nuclear norte-coreano são exemplos que corroboram com o posicionamento dos autores. O acidente no Japão ocorreu em março do ano de 2011 e teve como causa o tsunami que arrasou as instalações da central nuclear, afetando os sistemas de resfriamento dos reatores e geradores de emergência situados no subsolo. E em um país onde esse fenômeno natural derivado dos terremotos é tão comum, esses danos não foram previstos? Foram sim, mas acabaram sendo negligenciados por parte do governo e das agências reguladoras japonesas. Estas adiaram as decisões necessárias para tornar a usina mais seguras, conforme resultado final da comissão parlamentar que averiguou o caso. Como uma das consequências do desastre em Fukushima, pode-se mencionar o que foi relatado pelo site de notícias G1: o fato de que cerca de 50 mil moradores dos municípios mais próximos da usina nuclear continuam sem poder retornar as suas casas por causa das emissões radioativas. Estas afetam gravemente a agricultura, a pecuária e a pesca local. Para José Goldemberg, professor da USP, o uso da energia nuclear é um assunto muito sério, tendo em vista os cuidados inerentes ao seu uso, especialmente os referentes ao armazenamento dos resíduos produzidos. Conforme ele diz: “Não se conseguiu até hoje fazer um reservatório adequado para guardar esse "lixo" que seja definitivo, apesar de já existirem 70 mil toneladas guardadas em depósitos provisórios no próprio local onde se encontram os reatores nucleares.” Outro exemplo que corrobora com o posicionamento dos autores do livro é o programa nuclear norte coreano. A Coreia do Norte, que realiza testes nucleares desde 2006, com explosão de bombas e lançamento de mísseis, põe uma situação de constante insegurança nos países vizinhos. Estes exemplos confirmam a exclusão da sociedade como um todo, em questões do desenvolvimento científico e tecnológico que envolve diretamente a vida dessas pessoas. Ficando evidente, por exemplo, no Japão que estas pessoas não foram consultadas e não tinham o real conhecimento quanto aos perigos da opção energética nuclear adotada como matriz energética em todo o país. Entretanto, podemos observar que a tecnologia não é somente algo ruim que devemos temer, esta auxilia de forma extremamente positiva na melhoria de nossas vidas, principalmente na área médica, sendo muito difícil imaginar o mundo sem o suporte dos meios tecnológicos. Porém, o desenvolvimento sem participação efetiva da sociedade como um todo está levando a ciência e a tecnologia cada vez mais para um grupo específico da população, os mais ricos, deixando os grandes avanços mais distante da população em geral. O que vemos é uma desigualdade cada vez maior no mundo, onde num extremo, por exemplo, grande parte da população está desnutrida e sofrendo com a fome e no outro está sofrendo com a obesidade.
Atualmente, existem ramos da ciência e tecnologia que especificamente iniciaram-se com um apelo social, voltados essencialmente para o bem estar da sociedade, a Interface Cérebro-Máquina é um destes. Diversas pesquisas sobre exoesqueletos respondendo a impulsos nervosos, e a utilização do controle cerebral para atividades diversas, são realizadas em todo o mundo. Apesar de muitos acreditarem que isso é algo futurista, muitos pesquisadores já obtiveram resultados positivos em seus estudos, com aplicações reias já desenvolvidas e testadas em baixa escala, voltada principalmente para a construção de próteses (ortopédicas, sensores de som, de luz e etc), devolvendo a pessoas, ainda de forma não muito eficiente, movimentos aos membros, restaurando a audição e recuperando parcialmente a visão. Um grande exemplo do avanço neste ramo científico é o projeto “Walk Again ou Andar de Novo” liderado pelo neurocientista Miguel Nicolelis. Este é extremamente ambicioso, e tem como objetivo principal utilizar um exoesqueleto para devolver o controle de movimentos motores para pessoas que já não os tem mais. O equipamento estará preso por presilhas ao corpo de uma pessoa com deficiência motora, ou com membros amputados, como se fosse um segundo par de pernas e braços. O importante é que o usuário poderá controlar os movimentos do exoesqueleto somente pensando nos movimentos que deseja executar. O conteúdo da reportagem “O Cérebro no Controle: os novos poderes da mente” da revista Galileu explora este campo da ciência e tecnologia e enfatiza o trabalho de Nicolelis. Este projeto já vem sendo desenvolvido há alguns anos e tem o auxilio de centenas de cientistas trabalhando no Brasil e no exterior. Uma de suas metas era construir um protótipo e demonstrar o seu funcionamento, fazendo o usuário caminhar sozinho e dar o chute inicial na bola do jogo de abertura da Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Porém, o resultado foi muito preliminar e só foi conseguido que o usuário com o exoesqueleto apoiado desse um pequeno chute a uma bola que estava a centímetros do seu pé. Havendo muito ainda o que aprimorar, porém esse já foi um grande passo dado nessa área. A reportagem também destaca o trabalho do brasileiro doutor em biomédica Carlos Criollo, que em seu laboratório na UFMG, utiliza um aparelho que pode ler as ondas produzidas pelo cérebro através de eletrodos. E demonstra ser possível utilizar a interface como um joystick, pensando nos movimentos, estes são captados pelos eletrodos colocados na cabeça, decodificados pela interface e passam a controlam um cursor na tela. Essa tecnologia já vem sendo utilizada, existindo dispositivos que utilizam o mesmo princípio para um jogo que tem como objetivo mover uma bolinha virtual de um lado para o outro com a força dos pensamentos. A reportagem também explora os entraves a esta tecnologia, explicando as dificuldades da captação de ondas celebrais por eletrodos, sendo muito complexa a interpretação dos dados para a execução de movimentos mais precisos. Isso poderia ocasionar uma inversão do sentido da interface do homem controlando a máquina, exigindo algoritmos tão complexos que acabaria ocasionando na máquina controlando o homem. O trabalho que consagrou o neurocientista Miguel Nicolelis apresenta uma tecnologia mais invasiva, utilizando implantes eletrônicos diretamente conectados ao cérebro, o que facilita a interpretação dos impulsos nervosos quando são coletados diretamente na fonte, no caso o cérebro. Este princípio já foi demonstrado por Nicolelis com o implante cerebral em macacos, que foram treinados e conseguiram movimentar um braço robótico apenas pensando nos movimentos. Porém, um problema dos implantes cerebrais é a cicatrização das áreas em contato com o dispositivo eletrônico, que com o tempo acaba diminuindo a intensidade dos impulsos elétricos, gerando uma maior dificuldade na captação deste e uma interferência no sinal elétrico. Mas, segundo o neurocientista a cicatrização completa da área não ocorre, como alguns pesquisadores previam, e a utilização de drogas que inibam estes efeitos pode resolver o problema desta interferência no sinal. A reportagem da revista Galileu vai além, dizendo que em um futuro não muito distante possa existir uma rede mundial de cérebros, onde as pessoas poderiam comunicar-se apenas por pensamentos. Será? Teremos que esperar pra ver. O fato é que até então esta tecnologia ICM estava voltada para devolver movimentos a membros imóveis ou amputados através de próteses, e que agora surgi uma forma de explorar comercialmente esta tecnologia. Esta vem ganhando cada vez mais notoriedade com interesses de grandes empresas visando o controle de máquinas e equipamento via pensamento. Com aplicações que visam à substituição de controles manuais em geral, mouses, teclados, vídeo game, direção de automóveis, etc. E até mesmo nas redes sociais onde poderia ser realizado um post apenas utilizando o pensamento. É triste pensar que uma tecnologia tão nobre do ponto de vista do seu potencial social (devolver os sentidos as pessoas), precise ser banalizada para tornar-se viável e acessível à sociedade.
Há um problema claro da falta de democratização da tecnologia, precisando este começar a ser resolvido primeiramente com educação, enraizando cada vez mais uma cultura de CTS nas pessoas. Assim, uma geração mais consciente pode começar a exigir dos governantes diretrizes mais específicas quanto ao uso de novas tecnologias, vigiando a aplicação de recursos públicos em pesquisa, por exemplo, devendo estes estarem focados essencialmente em tecnologias sociais. É necessário cobrar um pensamento mais coletivo e próximo da sociedade que vise o desenvolvimento sustentável. É preciso ressaltar que esta visão já é antiga e a adoção do desenvolvimento sustentável também, empresas multinacionais já adotam isto há décadas. A compensação de carbono que já está normalizada internacionalmente é um exemplo disto, sendo um avanço deste conceito. Estas multinacionais precisam compensar a emissão de gás carbônico na atmosfera de suas atividades, obrigatoriamente investindo em projetos de desenvolvimento sustentável pelo mundo. Em contra partida recebem o selo verde, podendo, por exemplo, capitalizar suas empresas com recursos financeiros mais baratos. Porém, está ainda é uma política quase que exclusiva dos países desenvolvidos. Como conclusão temos que é imprescindível que o custo real das tecnologias chegue ao conhecimento da maioria da população, os impactos sociais, econômicos e ambientais precisam ser levados em conta na adoção das tecnologias. A ciência e tecnologia tem que deixar de ser usada essencialmente de forma banal e precisa passar a ter em sua grande parte um caráter social. Sendo esta a questão mais importante da CTS, primordialmente abordada no livro de Santos (2004).  


Referências

- SANTOS, Lucy W. dos... [et al.] (orgs). Ciência, Tecnologia e Sociedade: o desafio da interação. Londrina: IAPAR, 2004.

- CEREZO, José Antônio López. Ciencia, Tecnologia y Sociedad ante la Educación. In: Iberoamericana de Educación, Espanha, n.18, p.41-48, set/dez 1998.

- MADOV, Natasha. Miguel Nicolelis quer espalhar ciência pelo Brasil. Disponível:<http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/miguel+nicolelis+quer+espalhar+ciencia+pelo+brasil/n1597087584972.html>.
Acesso em: 02 jan. 2014.

- BERNARDO, André. O Cérebro no Controle: os novos poderes da mente. In: Galileu, Rio de Janeiro, n. 246, p. 39-47, jan 2012.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Rumo à Copa

Os diversos sentimentos envolvidos na Copa da Mundo de Futebol no Brasil.

rsrsrs...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Livro - Silenciosamente, Amor! Cap.2


Capítulo 2 – Ambiguidades 



Em uma cidadezinha bucólica em meio a uma noite fria e nublada, o ônibus acelerado atravessa a rua calçada com pedras de paralelepípedos e contorna a esquina. Em um dos lados da rua quarteirões descampados e escuros cobertos por muito mato alto, e do outro uma minúscula
rodoviária antiga e sem muros. Tendo apenas um pequeno espaço para os ônibus pararem, quatro pequenas plataformas separadas por faixas amarelas pintadas ao chão. Júlia ao ver a rodoviária levanta-se, pega a sua mala que estava no bagageiro e a coloca no chão. Quando de repente o ônibus faz uma curva brusca para se alinhar na plataforma de desembarque e Júlia sem estar se segurando se desequilibra, e é empurrada para a janela. Ela se agarra como pode no bagageiro, mas é arremessada para o colo de Pablo, que a segura firme. A moça fica completamente sem graça, levanta-se rapidamente ajeitando a roupa e fica sem saber o que dizer.
- Desculpa... Nossa! Eu não sei como... Obrigado, tá. Diz a moça ao rapaz. Ela pega sua bolsa e sua mala e parte corredor a fora, querendo sair o mais rápido possível dali. Pablo fica envergonhado e permanece calado. Ao dar um paço desajeitado carregando suas bagagens, a moça com seu sapado com meio salto vermelho torce o pé, mas rápido se recompõe. É quando, ela cabisbaixa se vira novamente para o rapaz e diz:
- Ah! Desculpa tá. Eu estava nervosa àquela hora, desculpa.
- Tudo bem, eu também estava sonolento por causa de um remédio e... Tudo bem. Fala Pablo fazendo um gesto com a mão, dizendo que a moça poderia ir. Ao ouvir “remédio”, Júlia teve certeza que aquele homem tinha sérios problemas, ela sorri discretamente e foge dali, arrastando novamente a sua mala pelo corredor apertado. Júlia desce do ônibus às pressas sem saber para onde ir, quando ao longe avista um guichê da única empresa que atua naquela minúscula rodoviária. Apressada ela parte rumo ao lugar, arrastando sua mala e carregando sua imensa bolsa, ela vira-se para trás curiosa e vê Pablo meio desajeitado descer do ônibus e falar com o motorista. Ela aperta o passo fugindo do jovem, enquanto ele ajuda o motorista a pegar umas malas de um passageiro que também acabou de desembarcar, um velho baixinho e caipira.
- Ei rapaz! Eu quero uma passagem de volta. Fala Júlia apressada batendo no vidro do guichê para um rapaz magrela e de barbicha que está assistindo TV.
- Calma Dona! Num tem ônibus mais não hoje. Fala o rapaz bravo diante do desespero da mulher.
- O que?
- São onze e pouco da noite, Dona! Fala ele com seu sotaque bem arrastado.
- E amanhã, qual o primeiro?
- Ah só às sete da manhã.
- E na outra cidade? Tem algum?
- Hoje não.
- Droga! Droga! Inferno viu. - resmunga a mulher - E você sabe onde tem um hotel aqui? Pergunta Júlia nervosa.
- Saber, eu sei, mas é longe daqui.
- Onde eu pego um táxi?
- Táxi!? Ah moça, tem não viu. Fala o magrela rindo da mulher.
- O quê! Não é possível! Ônibus, carroça, alguma coisa...
- Essa hora, só os pé da senhora mesmo! Júlia pensa em xingar, mas se controla e engole o palavrão.
- Me dê uma passagem para outra cidade então!
- Passagem? Tem não, só com o motorista.
- E aquele ônibus? E a mulher se vira pra apontar o ônibus que acabou de deixá-la. Ela arregala os olhos e começa a correr em direção ao ônibus, que já está fechando a porta e
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deixando a plataforma. Júlia grita e sacode a mão como pode, arrastando a mala e segurando a grande bolsa colorida, fazendo o caminho de volta ao ônibus, ainda mais apressada do que na vinda. Pablo observa a jovem mulher com seu sapato vermelho correr desesperada e desengonçada, ele tenta avisar o motorista, que já com a porta fechada está deixando apressadamente a rodoviária. O ônibus vira a esquina e vai embora enquanto Júlia desaba de raiva no meio do caminho, largando a sua mala no chão e soltando um grito baixo. Pablo carregando sua mochila preta e mais duas malas do senhor que acabara de desembarcar, vai até a ofegante Júlia que está arcada com as mãos nos joelhos e de cabeça baixa.
- Tá ruim voltar, né? Eu também queria, mas... – o rapaz ajeita os óculos e continua a falar um pouco desajeitado - Eu estou indo de carona para um hotel, aquele senhor deixa o carro por aqui enquanto faz compras na cidade e na volta passa em frente ao único hotel da cidade. Júlia ergue a cabeça respirando ainda com certa dificuldade e solta um sorriso sem graça, pois queria ficar longe daquele rapaz estranho, mas naquela noite nada saia como ela planejava.
- Acho que isso é um convite, então? – a mulher abaixa a cabeça de novo – Olha o que me restou. Onde eu fui me enfiar?... Reclama Júlia, baixinho.
- Te resta também ali, pra você se enfiar. Fala Pablo de forma irônica apontando para um par de cadeiras azuis e de plástico em frente às plataformas de ônibus. Júlia o fita com um olhar fulminante, tira as mãos dos joelhos e se ergue ajeitando a roupa.
- Vou aceitar a carona. Diz ela de forma ríspida e incrédula diante do tom irônico do rapaz, afinal ele até então só havia apresentado um comportamento calmo e passivo diante dela. 
- Eita, o casar tá cansado, mas logo que chegamos no hoter. Fala o senhor caipira, barrigudo e baixinho arrastando suas duas malas. Júlia enche os pulmões pra rebater o que o velho disse. “Casal! Até parece.” E logo desiste, deixando a reclamação somente em seus pensamentos. E todos mudos deixam a rodoviária, arrastando um monte de malas rumo ao carro do velho.
Eles atravessam uma rua mal iluminada e aparentemente abandonada há tempos, até chegarem a um descampado onde o carro está estacionado. Júlia ao ver o carro arregala os olhos não acreditando no que vê, um Fiat 147 velho, sujo de barro e muito enferrujado, com o para-choques traseiro amarrado com corda.
- Ahhh, viu... Meu carro é velhinho, mas é bão. Anda que é uma beleza. Diz o velho caipira. Pablo também se espanta. “Como caberiam as malas mais os três naquele carrinho?” Se pergunta ele em pensamentos. Sem falar no estado de conservação nulo do carro. O velho continua:
- Ah, tem uma coisa também, não tem banco traseiro, viu. Eu tiro pra caber as malas, mas vocês dois cabem no banco da frente, são um casal magrinho, magrinho. Ao ouvir aquilo, Júlia para imediatamente e solta a sua bagagem no chão.
- Como? Eu só pergunto isso! Como caberemos em um mesmo banco? Fala a mulher já quase chorando e pensando nas cadeiras azuis, lá atrás. Sendo estas as únicas companheiras em uma noite fria e por mais de sete horas, naquela velha e desprotegida rodoviária. Pablo preocupado e de cabeça baixa retira seus óculos, passa a unha do dedão direito na lente que está quebrada, lembrando-se que realmente precisa trocá-la. “É não tem jeito! È aquilo ou aquilo.” Pensa ele. Júlia tenta se acalmar e pensa nas aventuras e loucuras que já tinha feito na adolescência. Enfurnada no carro das amigas com mais um monte de meninas, todas espremidas no banco de trás rindo e bagunçando, indo para shows e baladas. “Calma Júlia! Vai ser uma história e tanto pra contar e rir com as amigas.” Tenta ela se convencer em pensamentos para topar a aventura. O velho abre o porta-malas do carro e começa a empilhar as malas, e realmente para um Fiat 147, tudo aquilo ali e mais os passageiros é muito.
- Quanto tempo mesmo é até o hotel? Pergunta Pablo.
- Ah... De carro uns 20 minutos, de pé uns 50, acho. Tem o morro, sobe desce, vira à esquerda e já tamo lá.
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- Morro? Pergunta o reflexivo Pablo balançando a cabeça.
- Ah, num é grande não, num tem asfarto é na terra mesmo, meio escuro e com mato, mas tem perigo não. As palavras do velho parecem a gota d´água, Júlia irritada esbraveja consigo mesma:
- Por que eu não olhei direito o despertador daquele maldito celular! Por quê? Por que eu não sentei ao lado de uma pessoa normal? Assim não estaria aqui!
- Ahhh e o porquê eu não sentei do lado de alguém que saiba usar um celular? Rebate Pablo irritado ao se virar e ficar olhando direto para a mulher.
- Ah então a culpa é minha, né!
- Você só reclama moça! Nunca vi, viu! Desabafa o rapaz dando as costas pra mulher.
- Júlia! Eu tenho nome viu, senhor Pablo. Resmunga a mulher, agora mais contida por se dar conta que está brigando desnecessariamente com um desconhecido, afinal sua reclamação foi apenas um desabafo consigo mesma, falado em voz alta, devido ao estresse daquele dia cansativo. Pablo para de caminhar e a princípio espanta-se pelo fato da moça saber o seu nome, mas aí se lembra do episódio da passagem de ônibus e continua a ir em direção ao carro levando as malas do velho barrigudo.       
- Hihihi... O casar brigando até parece eu e minha véia! Carma, logo chegamos no hoter. Fala o velho rindo e balançando a cabeça. Júlia sente vontade de esganar o velho, por ele achar e dizer que ela forma um casal Pablo. Um homem magro e estranho, com uma capacidade inacreditável de irritá-la com cada gesto e palavra de fazia e dizia.
Pablo ajuda o velho a acomodar as malas no Fiat 147, quando ao inclinar-se para ajeitar uma das malas o frasco branco de remédio cai de seu bolso aos pés de Júlia, que se aproximava para guardar sua bagagem. Sem pensar muito, num gesto intuitivo ela se abaixa para recolher, quando ao ver o frasco, inesperadamente uma lembrança vem a sua mente. Ela está deitada em uma cama e chora muito, ao seu lado, na cabeceira da cama, do lado de um copo de água e de um frasco de remédio tarja preta para dormir, o mesmo frasco branco. Idêntico a aquele, agora em suas mãos, um remédio conhecido e bem forte usado no tratamento de crises para ansiedade. Ela entrega o frasco para Pablo que percebe a reação estranha da mulher. Um jeito aflito e estranho, como o de quem lembra uma coisa muito ruim, uma mistura de surpresa e pavor em uma mesma feição de rosto.
- Obrigado. Eu vivo deixando tudo cair. Fala Pablo um pouco envergonhado.
- Eu já percebi. Diz Júlia de forma suave com um pequeno sorriso.
- Eu já to parando de tomar este remédio, quase nem uso mais. Diz o rapaz sentindo a necessidade de se explicar, diante do claro reconhecimento do remédio demonstrado involuntariamente pela mulher. Pablo sabe que há um grande preconceito das pessoas em geral em relação a tratamentos e tipos de remédios relacionados com problemas emocionais devido à falta grande de informação das pessoas. Ele fica em dúvida se aquela reação por parte de Júlia ao reconhecer o frasco de remédio, seria por preconceito, ignorância ou se ela por algum motivo já tinha usado o mesmo tipo de medicação. O rapaz então se lembra de sua resistência em aceitar a medicação quando o médico a prescreveu. Uma relutância tola e insensata que foi bem combatida com muitas explicações e paciência por parte de seu médico e de seu melhor amigo. “Larga de ser um troglodita machão e imbecil! Você não é assim. Hellow! Século vinte e um. E vai tomar o remédio sim! Ou eu vou dá chilique!” Pablo sorri ao lembrar-se do amigo Felipe, que é intitulado por si mesmo de Phill.
- Pronto! Tudo guardado é só seguir agora! Diz o velho ao bater a porta do porta-malas depois de guardar a mala de Júlia. Ele dirige-se ao lado do motorista e entra no carro velho, Júlia e Pablo ficam indecisos para saber quem vai primeiro, até que ele toma a iniciativa, abre a porta e se espreme no banco do carona. Mais uma vez estariam ambos sentados um do lado do outro, dividindo um aperto ainda maior. Ela do lado de fora do Fiat 147 e ainda segurando a sua grande
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 bolsa colorida, percebe que esta não teria espaço naquele banco e pela porta do carona joga-a para trás do veículo junto com o restante das outras malas. Delicadamente ela se senta ao lado de Pablo e vai se aproximando lentamente até perceber que teria que quase sentar no colo do rapaz para que a porta possa fechar.
- Você pode ir mais para o lado? Por favor. Diz a mulher incomodada a Pablo.
- Não dá, senão vou atrapalhar o motorista.
- Eita moça, seria meió a senhora ir no colo do seu marido.
- Eu estou bem assim. Responde Júlia agarrada com as duas mãos na porta do carro e sentada de forma completamente desconfortável. O senhor coloca a chave na ignição, a gira, o carro faz um barulho alto e seco, mas não pega. Ele tenta de novo, e nada, Júlia já começa a ficar impaciente com aquela situação, o velho tenta mais uma vez e finalmente o carro pega e sai fazendo barulho pela rua escura em meio aquela noite fria e nublada.
O Fiat 147 acelera pela rua esburacada chacoalhando e rangendo muito, Júlia sente que a qualquer momento o carro pode se desintegrar e reluta em acreditar que aquilo está acontecendo realmente com ela. Pablo diante daquela rua escura e do farol fraco do carro já começa a passar mal, sentindo-se como que se estivesse lentamente abandonando aquela realidade rumo a um buraco infinitamente escuro. É quando mais uma das reclamações desnecessárias e um tanto mimadas de Júlia o trás de volta ao aperto dentro do Fiat 147.
- Será que você realmente não consegue ir mais para o lado! Fala a irritada mulher.
- Meu colo está disponível, e você já o conhece muito bem! Diz o incomodado Pablo.
- Ah... Vai... E se enxerga rapaz!
- Você só sabe reclamar, nunca vi! Fala o rapaz pausadamente. Júlia a princípio fica envergonhada com o puxão de orelha, mas logo se irrita mais, achando-o abusado e inconveniente. “Ahhh, quem esse cara estranho acha que é?” Pensa ela virando o rosto para Pablo e observando o matagal escuro pela janela. O velho debruçado sobre o volante dirige atentamente pelas ruas escuras rindo calado das rusgas do casal. De repente o carro começa a ranger mais do que o de costume, e a andar mais lentamente. O Fiat 147 começa a subir uma ladeira não muito íngreme, mas quase intransponível para o velho e pesado veículo. Pablo não consegue parar de pensar como aquela mulher ao seu lado, jovem bonita e independente pode se desequilibrar tanto assim. Deixando de encarar os problemas de forma objetiva e passando a ser tão visceral, só reclamando, reclamando, inutilmente por coisas tão bobas. Aí, ele se dá conta que, embora seus problemas não fossem tão tolos, ele ainda estava preso aos acontecimentos ruim da vida. Reclamando, reclamando, não para o mundo, mas para si mesmo, remoendo, revivendo, sendo visceral, e também de forma inútil. E percebe que a vida é como aquele carro, andando agora por um caminho difícil, escuro e íngreme, carregando bagagens pesadas e a mercê dos acontecimentos. Mas uma hora a estrada muda, a noite amanhece, a subida desce e a estrada fica plana, fácil. O velho segue pisando fundo, levando o acelerador do carro ao limite para que este consiga dar conta da subida. Júlia cansada e nervosa perde-se em seus pensamentos refletindo sobre sua vida, em suas escolhas, e desejando intensamente sua cama, seu quarto. A jovem mulher tem uma vida agitada, não consegue parar de viver intensamente o agora, não consegue parar de trabalhar freneticamente, de correr, de reclamar. Pedindo por um caminho tênue e recusando-o logo em seguida, pra ficar ligada no automático, vivendo sem viver e fugindo de si mesma. A subida termina e o Fiat 147 começa a descer, ganhando mais e mais velocidade num caminho longo e sinuoso. O coração de Júlia vai à boca, quando ela tem a sensação de estar em uma descida de uma monta russa escura. Pablo atento e acompanhando com as curvas como se estivesse dirigindo fica apreensivo. O carro começa a chacoalhar mais e mais, o braço curto do velho motorista briga como pode com o volante grande e marrom.
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- Eita. Tamo pesado, mais tamo velois! Diz o velho rindo bem alto, que segue pisando aos poucos no freio para tentar evitar que o carro ganhe muita velocidade e pra conseguir fazer as curvas. O velho então percebe que o acelerador está agarrado do assoalho do carro. Cada vez mais o senhor pisa mais fundo no freio pra conseguir controlar o carro. Pablo e Júlia vão ficando com mais medo, tanto pela descida quanto pela risada do velho. O velho aperta e aperta o freio e nada, e o carro vai ficando cada vez mais rápido. Com dificuldade e muita força no braço o velho consegue dominar o volante e contornar a curva não tão fechada à frente. Ao fazerem a curva, Pablo é empurrado para cima de Júlia que imediatamente começa a resmungar.  
- Eita! O carro tá indo ladeira abaixo! O acelerado tá preso e tamo quase sem freio! Grita o velho. Júlia arregala os olhos e se agarra a Pablo. Ele sem saber o que fazer apenas olha fixamente para o caminho à frente, rezando para que a ladeira acabe.
- A curva à frente é muito fechada e o barranco é pequeno. Num tem jeito! Vamo ter que pular! E o velho já leva a mão no trinco da porta.
- O que!!! Grita Júlia de olhos bem fechados. Pablo olha em volta desesperado. O velho empurra a porta com força e salta do carro. Ele sai rolando sobre o mato alto. O rapaz olha tudo aquilo, não acreditando. Ele abre a porta rapidamente e com toda a sua força a empurra, no mesmo instante abraça Júlia fortemente e juntos se jogam do veículo. O mato alto a beira da estrada ameniza a queda e eles abraçados saem rolando pelo chão. O Fiat 147 segue reto por mais umas dezenas de metros e ao chegar à curva fechada, passa direto seguindo barranco abaixo. Não há árvores muito grandes à frente e o carro segue pipocando se embrenhando cada vez mais no matagal escuro.




















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